“É recomendável não descobrir todos os segredos.
“Aí eu paro e penso: com você, só com você, eu imaginei tudo assim. Todas essas coisas de romance bonito de filme, casamento, família, viagens, cachorros, canários, papagaios. Por quê? Porque eu te amo. Porque eu te quero. Porque eu nunca senti por ninguém nada perto do que sinto por você. Porque ninguém fez com que eu me sentisse assim, entregue, na corda bamba, com esse gosto de felicidade na boca.
“Não, ela não vai ficar te esperando para sempre, trouxa. Ela não vai ficar sempre te chamando e implorando pela sua atenção. Ela vai cansar, ela vai desanimar com o fato de você não se importar, ou pelo menos não demonstrar. Ela vai dar a última chance, a última chance para você tentar mostrar para ela que vale a pena, e você vai vacilar, como sempre fez. Ela vai cansar definitivamente e vai ir embora, sem despedidas, sem explicações. Simplesmente vai ir, abrir novas portas e descobrir novos sorrisos. Ela vai sair, se apaixonar, beijar outras bocas, ela vai viver! E você? Você vai se dar conta da mulher que perdeu, e quando quiser ela de volta, bom.. Dai já vai ser tarde demais.
“Sempre fui sentimental e nunca levei adiante relações em que não estivesse emocionalmente envolvida, e por mais que eu pareça ser durona, é apenas fachada. Só eu sei o quanto já sonhei em ser uma princesa resgatada da torre de um castelo.
“E a receita é uma só: fazer as pazes com você mesmo, diminuir a expectativa e entender que felicidade não é ter. É ser.
“Então ela chorou. Todos compreenderam seu choro, e não perguntaram nada, nem tentaram consolá-la. Os traços de seu rosto pareciam desfazer-se com as lágrimas. Mas os ombros não tremiam, e não havia nenhuma contração em sua boca, nenhum som em sua garganta. Sem revolta, ela aceitava. E chorava pela perdição de aceitar o que não pode ser modificado.